sábado, 2 de outubro de 2010

A minha dor






 "Tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor"






Dói ver pessoas caminhando de mãos dadas pelas praças do meu bairro e saber que não podemos andar juntos

Dói ir ao cinema sozinha e não ter com quem dividir a pipoca

Dói saber que nossas retas são direções opostas

Vou desfilando com minha dor, orgulhosa e triste, sem suportar os sorrisos estampados no caminho, os sorrisos que não são os seus

Mas minha dor tranforma-se em alegria toda vez que estou de partida para ir ao seu encontro, ou você está chegando para poder apagar todos os lamentos


Aperitivo poético:

A minha Dor

A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal…
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias…

A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!

Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve… ninguém vê… ninguém…

(Florbela Espanca)