Pai e filha. Uma barreira, um mundo, um carnaval, uma lacuna, um abismo entre eles e muito afeto. O sol nascia, ele a acordava para fazer alongamentos na praia com a ilusão de que a faria ultrapassar aquele tamanho de fita métrica que possuía, ilusão.
Nenhum centímetro a mais e os passeios matinais personificados de pássaros foram logo sendo substituidos pelas novidades que a noite trazia , os sabores notívagos sempre mais sedutores do que a luz invasora da manhã, do que o amor paterno e visceral.
Poucas palavras, o silêncio sempre propagou os versos inaudíveis e insolúveis, versos de poesia cálidos e pausados estão contidos em uma garrafa de medos e de preocupação que ele bebia por ela, como um conta-gotas.
Um pranto, uma rouxidão imensa, imersa na falta da utilização do logos. Uma frase em pensamento: “- eu queria tanto dizer eu te amo”, mas não disse, já era tarde, pensou ela. Mas não era. Ele soube romper a introspecção da não palavra e levou consigo a imagem e o sentimento do ser latente que proliferava infinitos no cintilar dos cílios.
(Juliana Trentini)
Adooooro seus textos! São de uma sensibilidade admirável! =)
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