quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Adeus




Feito um bordado, procurou o melhor fio, a melhor linha e teceu uma despedida aguda e fina, delicada e bela como o amor que sentia, sentia também por não sentir mais nada. Preparou o tempo, conversou com São Pedro e pediu um dia cinza, o adeus combina com essa cor, essa ausência de luz representa a melancolia.

Procurou o melhor CD, colocou no som, o envolveu entre lençóis com direito a cafunés, massagens e beijinhos de esquimó, o cinza foi logo substituído pela escuridão da noite...ela estava munida de sonhos e não viu nenhuma estrela no céu, ele era ausente e pálido e vazio, tão vazio.

O fim foi sem substância com pouco afeto e muito alívio. Sem explicação nenhuma as pessoas se prendem a outras e a coisas que não acrescentarão nada em suas vidas, mas ela era muito ciente disso e calculou cada passo que daria e até onde poderia chegar numa perspectiva sem referencial algum, sem ponto físico, sem proximidade alguma com a exatidão, ainda assim sabia até onde chegaria sem nenhum tombo ou arranhão.

Ela compreendia o mistério e o olhar mais do que ninguém, sua colcha de retalhos está sobre a cama, abrigando todos os vazios, ausências, palidez e silêncios e o sonho é o que a liberta para dentro de si e a conforta como o travesseiro.

(Juliana Trentini)

4 comentários:

  1. Putz, esse texto me apareceu hj na hora certa... justamente depois de te contar que estou, enfim, começando a me despedir de um sentimento que me atormentou por algum tempo... Já disse que te amo? =)

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  2. assim você faz chorar até meu lado vincentão rsrsrsrsr

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  3. Wellington Fernandes4 de setembro de 2009 11:41

    Muito bom, gostei sim do texto.
    Aliás, sempre antes de dormir eu dou uma passadinha por aqui
    =)
    Mas um dos meus preferidos é a postagem de 09 de agosto. O Diário da Jú.
    Acho porque foi o primeiro que li.
    bjoss

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