sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ausência

Dizem:

“o que os olhos não veem o coração não sente”

Mentira.

Eu não te vejo. Essa distância é um abismo abrigado nos tecidos que escondem meu corpo da nudez.

E mesmo que eu seja despida, uma semente do vazio se instalará em algum espaço.

O problema é que seu silêncio é solo fértil em minha pele e a sua ausência mora nos meus olhos.



Aperitivo poético:

Ausência

Olhei os pés apressados
Mochila nas costas
Barba mal feita
E nos fios de cabelo:
Os sonhos

Para cada passo:
Uma distância.


Para cada decisão:
Uma escolha.
O amor abandonado
E o futuro ganhando quilometragem


Para quem fica:
Ausência.

Para quem foi:
Ausência.

(Juliana Trentini)


Ausência

(...)

Eu ficarei só
como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém
porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente,
a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes

Um comentário:

  1. Amiga.

    Ausência é um nome bonito
    para a presença invisível de alguém em nós.
    Os olhos não vêem,
    mas o corpo,
    o coração,
    a alma,
    sentem.
    E como sentem...

    Um final de semana cheio de inspiração.

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