sábado, 12 de dezembro de 2009

Descuido




 

O celular tocou. Havia esquecido a hora marcada, ele já estava a sua espera e resmungava a sua demora. Apressadamente, lavou apenas o rosto e escovou os dentes, entrou no elevador; a vizinha do andar de baixo mal a cumprimentou e ainda entrou na cabine com um perfume barato e doce, sabe-se lá se era mesmo perfume barato, mas lhe causou náuseas.

Ainda às tontas, quase cedendo às vertigens, sentou-se no carro e disfarçou o enjôo. Entrou no laboratório, pegou o envelope com o resultado na recepção; não teve coragem de abrir, voltou para o carro e seu pai, com olhar investigativo, perguntou:

- E ai filha, como estão suas taxas? Você sabe que tem que cuidar da sua diabetes.
- Eu sei, pai, mas está tudo certo! Não se preocupe. Pode me levar de volta para minha casa!

Chegou, ligou o som, verde, anil, amarelo, cor de rosa e carvão, abriu o envelope: positivo, mãe solteira, ligou o chuveiro. A água do banho carregou suas interrogações para o ralo e a vida se repetiu com novas afirmações. 
 
 
(Juliana Trentini)



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