domingo, 13 de dezembro de 2009

Percepção




            Há pessoas que projetam suas imagens no “jogo do enquanto” e outras nos “fardos do depois”. Tudo que se vê diante da íris não é exatidão, é esboço que cada um com sua alma valente ou covarde descobrirá nas entrelinhas marginais que habitam paisagens ou poesia morta.

            Uma canção atravessa o mar vermelho, ou verde, ou azul, dependerá de qual lugar do universo você habita, ou que desejo se projeta no ser que sonha.

            Há de se seguir aquele barco que talvez tenha um ninho cheio de carinho ou braços desnudos de afeição, procuremos o mapa e cada um encontrará a sua estrada inversa cheia de percalços e enganos.

E quando encontrar o porto, abrirá a porta da casa cheia de vento, trazendo toda a poeira cósmica do tempo, arrastando um pouco do mundo de fora para dentro dos azulejos e a fechará novamente.  O que o tempo determina é falsete e o que a alma sonha é verbete guilhotinando as nuvens.

(Juliana Trentini)

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